Imagine a aquisição de uma Ferrari para finalidade exclusiva de dar uma volta em um quarteirão, rodar com ela poucos metros apenas, ainda que diariamente. Que lógica teria isso? A resposta é óbvia: Nenhuma! Mas foi essa a expressão utilizada como metáfora que certa vez ouvi de um empresário, ao reconhecer seus erros nas estratégias adotadas para a expansão de sua empresa.
Excessos de investimentos em uma empresa cujos indicadores já sinalizavam um crescimento modesto porém contínuo e promissor, contribuíram para um endividamento que resultou na necessidade de utilização de um amargo processo de recuperação judicial para lidar com o alto endividamento acumulado por falta de planejamento. A questão é: Isso poderia ter sido evitado? Claro. Bastaria prudência, cautela, análise técnica de mercado e respeito ao crescimento natural do próprio negócio. Uma simples Swot possivelmente já se prestaria com bastante eficiência a esse propósito.
Dentre tantos fatos que podem contribuir para a falência de uma empresa, ou no mínimo para um acometimento de dificuldades financeiras, quero falar de uma delas em especial: O erro estratégico no momento de expandir os negócios!
Pois bem, voltando ao caso do nosso personagem, os investimentos embora bem intencionados se revelaram excessivos e inconsequentes para o momento, porquanto se transmudam na necessidade de sacrifícios que poderiam por meio de uma gestão cautelosa serem evitados, e ainda que se negue, a ambição empresarial é e possivelmente continuará sendo a causa da ruína de muitos empresários que insistem em crescer sem um planejamento adequado.
E é sobre isso que quero falar: Empresas que se perdem na execução de seus planos estratégicos de crescimento. Excessos de investimentos que se transmundam em endividamentos que além de comprometer todo capital próprio, ainda faz com que o empresário se veja obrigado a recorrer a capital de terceiros (bancos, fundos e outros agentes financeiros), e aí sim, começa a se formar a popular “bola de neve, onde se pega de um para pagar ao outro”.
Ainda sobre nosso caso, tudo estava tranquilo, o crescimento apesar de modesto era constante, e as DREs sempre evoluindo de modo ascendente. Contudo, com os resultados das ações tomadas sem um mínimo de cuidado e orientação técnica, o empreendedor se vê diante de uma realidade financeiramente estigmatizante, sendo obrigado a recorrer a juros flagrantemente incompatíveis com o rendimento do seu negócio e sem capacidade de pagamento para fazer frente às sucessivas tomadas de capital.
A questão é matemática e muito óbvia por sinal, se o seu negócio não suporta os aportes onerosos feitos de modo desatinado, a “última linha dos seus numeros” sempre se manterá negativa, e o que é pior, em parâmetros vertiginosamente crescente, até que tudo se torne insustentável e as portas definitivamente se fechem.
O que fazer num cenário tão devastador?
A solução não se revela tão simples, e demanda ações multidisciplinares, onde se sobressai talvez uma das mais importantes: O processo de conscientização do devedor quanto a mudança de comportamento e o modo de pensar o seu próprio negócio. Além disso, alguns outros pontos se revelam de fundamental importância:
a) – Identificação das causas pontuais que conduziram ao endividamento;
b) – Identificação da capacidade técnica da equipe;
c) – Análise da relação com os principais fornecedores;
d) – Retomada de relações comerciais interrompidas;
e) – estratégia de retomada da capacidade de pagamento;
(….)
Por fim, fica a dica: quer ampliar seus negócios? Faça um bom planejamento, recorrendo a profissionais com capacidade técnica que possa auxiliá-lo na tomada de decisões e na análise de todas
variáveis que envolvem o seu projeto.